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  • Luiz Ribeiro

"É hora de Brasília dar recursos ao transporte público", defende Greca ao Congresso



O prefeito de Curitiba, Rafael Greca, conclamou em Brasília, o governo federal a aportar recursos no transporte público das grandes cidades como forma de promover a retomada do desenvolvimento e evitar o colapso do setor – que enfrenta uma crise que vem comprometendo o sistema na maioria dos municípios de maior porte.

“É chegada a hora de Brasília dar recursos para o transporte público”, afirmou Greca ao ter a palavra em encontro de prefeitos de grandes cidades com deputados federais, na Câmara Federal.

Vice-presidente de Inovação da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), o prefeito curitibano participa do “Dia D”, de mobilização de administradores de capitais e grandes cidades em defesa de pleitos urgentes aos municípios.

Para Greca, a solução para a crise no transporte público passa pelo subsídio ao setor por parte do governo federal.

“No mundo inteiro, de Pequim a Berlim, de São Paulo a Bombaim, existe o subsídio do governo central ao transporte público. Os Estados Unidos e a Inglaterra também aportaram recursos no transporte público neste ano. É um efeito atenuador da pandemia e provocador da retomada econômica”, reforçou o prefeito.

A capital paranaense teve queda de 80% no número de passageiros a partir de março de 2020, com o início da pandemia. Agora, a recuperação do volume de pessaos transportadas está ocorrendo, mas de forma lenta. “Em Curitiba o transporte custa R$ 4,50 e é totalmente integrado a nove cidades vizinhas. A tarifa técnica [custo real da passagem], que no começo da pandemia era de R$ 5,65, este mês já é de R$ 7,15. Não é possível colocar o transporte com uma passagem custando R$ 7. É inaceitável. Não suportaremos mais um ano e não podemos aumentar a passagem a custo real. Nosso compromisso é com os cidadãos”, frisou Greca.


O prefeito ressaltou, que em 2020, a Prefeitura de Curitiba aportou R$ 190 milhões no transporte público e, em 2021, outros R$ 160 milhões. O governo do Estado também auxiliou a capital paranaense com subsídio em torno de R$ 40 milhões para a integração metropolitana. Curitiba instituiu o Regime Emergencial de Custeio do Transporte Coletivo para contornar os efeitos da pandemia. Com isso, diminui os custos, manteve a sustentabilidade do sistema e os serviços funcionando, sem riscos de paralisações (que foram registradas em outras cidades).

Quadro sombrio

Na opinião de Greca, sem o suporte da União para as cidades, a perspectiva para o transporte público municipal é negativa, já que o cenério é de alta dos preços do petróleo, carestia da população e inflação generalizada. A essa lista vão se somar os reajustes salariais das equipes que trabalham no transporte coletivo das grandes cidades e das capitais, o que impacta nos custos do sistema.

“Caminhamos para um quadro sombrio. Talvez algo parecido com 2013, quando houve a reivindicação ‘não é apenas vinte centavos’, em que o país inteiro viveu uma convulsão social, amenizada apenas com a desoneração do PIS/Cofins, que aconteceu também agora durante a pandemia por apenas três meses”, observou.

Concorrem para esse quadro, segundo Greca, o cenário atual e futuro, que traz forte desequilíbrio financeiro das contas do transporte coletivo dos municípios.

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